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COVID-19 e a Saúde Mental (13): o impacto psicológico no Chile, Equador, Colômbia e Espanha

Com o objetivo de investigar e analisar o impacto diferencial do primeiro confinamento geral da Covid-19 (lockdown), em 3 abril, sobre o estresse psicológico, as práticas de saúde e as ativida­des de auto-cuidados entre diferentes nações hispânicas, bem como, de destacar os efeitos na ida­de e no gênero da população, Bermejo-Martins e equipe (International Journal of Environmental Research and Public Health, 18, 2021), apresentaram um estudo no qual 1082 participantes, de 4 países (271 da Espanha; 282 do Equador; 261 do Chile; e 268 da Colômbia), com idades variando de 18 a 95 anos, e idade média de 43,9 anos; totalizan­do 50,9% mulheres e 9,1% homens, responderam a um questionário virtual, distribuído nas mídias sociais entre 31 março a 14 de abril de 2020.

Todos estes participantes responderam a 3 diferentes questionários, a saber: (1º) A escala de estresse percebido durante o último mês, composta de 10 itens variando de 0- nunca a 4 – muito fre­quentemente. Neste caso, com tal escala fornecendo um escore total, no qual, quanto mais elevado este escore fosse, tanto maior era o nível de estres­se percebido; (2º) A escala de práticas de saúde em relação à Covid-19, na qual examinava-se 3 indicadores preventivos de saúde durante ao confinamento total a Covid-19. Neste caso, um único item, que questionava o quão sério o participante considerava a situação pandêmica, examinava a seriedade da percepção social em relação à Covid-19, com a resposta variando de 1 = não é muito sério a 4 = muito sério, enquanto outros dois outros itens permitiam que as respostas variassem de 1 = discordo totalmente a 6 = concordo totalmente. Por adição, também nele encontrando-se presentes as orientações obrigatórias diárias e com a aderência às orientações de saúde pública recomendadas, além da manutenção do equilíbrio na rotina saudável e diferen­tes lugares para trabalhar e descansar, respectivamente; e (3º) O questionário de avaliação das atividades de auto-cuidado, composto de 14 itens, cujas respostas variavam de 1 = discordo totalmente a 6 = concordo totalmente, mensurando as dimensões “consciência com a própria saúde”, “nutrição e atividade física”, “qua­lidade do sono” e “estratégias de enfrenta­mento inter e intrapessoal”.

Considerando os resultados de todas as nações, e realizando as comparações estatísticas apropriadas, os dados mostraram que, inde­pendente do país, e controlando o nível de renda, o nível mais jovem dos participantes, especial­mente as mulheres, em comparação com seus pares masculinos, e com os grupos de participantes mais velhos, sofreram um nível mais elevado de estresse, percebendo a situação como mais severa, mostrando menos aderência às orientações de saúde e registrando níveis menores de consciência com a própria saúde. Em particular, no caso das atividades de auto-cuidados, parece que grupos mais velhos e mulheres são geralmente mais envolvidos nas atividades de auto-cuidados, adotan­do rotinas diárias mais saudáveis.

A partir destes dados e, principal­mente, de algumas diferenças entre as nações, especialmente entre grupos etários e sexos, tais características mostraram serem relevantes para o desenvolvimento e o melhoramento das recomendações de saúde e de aderência às orientações de saúde. Por adição, essas mesmas diferenças, certamente, poderiam melhorar a saúde, e o bem­-estar subjetivo e físico dos indivíduos, reduzindo os altos custos dos serviços médicos. Portanto, torna-se obrigatório otimizar as políticas públicas para melhor promover a saúde, levando em consideração os determinantes sociais de saúde e alterando as normas sociais de maneira que a saúde de todos os membros, e grupos da sociedade, seja prioridade.

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